sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

FORMAÇÃO EM FOCO – Sobre as palestras do Conecta Música (Festival BR135) - DIA 2 - Parte 2


SEXTA-FEIRA (11.12.2015) – Cine Praia Grande
Palestra “Arte e Ativismo Urbano” com BAIXO RIBEIRO e MARIANA MARTINS, diretores do Instituto Choque Cultural (SP).


Parte 2 - Urbanistas comentam exposições que propuseram intervenções no espaço urbano e respondem perguntas do público.

A cidade como ambiente para o fazer artístico, configurada como um espaço em que a arte está integrada à paisagem urbana. Essa foi a abordagem da mostra De Dentro e De Fora realizada em 2011 no MASP, sob curadoria de Baixo Ribeiro, Mariana Martins e Eduardo Saretta. A mostra reuniu trabalhos de oito importantes nomes da arte urbana mundial com o objetivo de provocar no público a experiência de não saber onde a arte está e a partir dessa busca, olhar para a cidade com uma atenção ressignificada. "Ela pode estar em toda a parte, embaixo da escada, atrás do quadro ou dentro do buraco. Pode estar na sala de casa ou no meio da rua. Dentro ou fora do museu.", diz o texto de apresentação do conceito da exposição. 

Space Invader
Foi sobre a experiência com essa mostra que os urbanistas Baixo Ribeiro e Mariana Martins falaram na segunda metade da palestra Arte e Ativismo Urbano, promovida dentro da programação do fórum Conecta Música, em dezembro em São Luís. A primeira parte pode ser conferida aqui. O casal, que trabalhou na curadoria da mostra, comentou os trabalhos do artista francês Invader e da norte-americana Swoon. "A ideia da exposição desde o começo era uma coisa que a gente gosta muito de fazer: a exposição tá dentro da galeria, mas ela também tá fora porque o artista urbano é urbano! Ele consegue fazer coisas interessantes dentro da galeria, dentro do museu, mas é muito mais interessante na rua. Então a gente fez essa exposição especificamente no MASP, usando o museu e a rua. Então todos os artistas fizeram coisa dentro do ambiente do museu, mas eles saíram pra rua. O Space Invader aproveita o quadradinho do ladrilhinho, da pastilha pra fazer esse desenho pixelado como se fosse um jogo. Ele espalha esse monstrinho pela cidade em lugares bem específicos e depois faz um mapa pra você ir achando e acumulando pontos conforme você vai achando os monstrinhos", explica Mariana Martins, que comentou ainda a incrível capacidade do artista em encontrar os prédios mais pixados de São Paulo para instalar suas obras sem atropelar as intervenções existentes. "Em São Paulo ele teve a capacidade de achar realmente os prédios mais pixados e não colocar o monstrinho em cima de nenhuma pixação. Ele não atropelou pixação nenhuma, mas ele conseguiu achar onde tinha uma agenda bacana de pixação e ia lá e punha um monstrinho. Então você também começa perceber isso.", lembra Mariana. 

Artista Invader instalou um de seus monstrinhos de azulejo
(branco, no local onde seria um portal de entrada) no prédio
abandonado do INSS, em SP.
“Esse é um prédio abandonado há muitos anos [foto à esquerda]. É o prédio do INSS, que foi abandonado, foi invadido, foi desinvadido e de vez em quando mora um ladrãozinho, mas ele tava fechado há muitos anos, ele tá caindo aos pedaços numa das avenidas principais de São Paulo que é a 9 de Julho. Isso também é um descalabro urbano”, afirma Mariana Martins. “Ele também aproveitou uma coisa que é muito comum em São Paulo que é o cemitério de azulejos. São Paulo tem muitas lojas que vendem ponta de estoque, azulejos velhos, que são sempre aquelas estampas engraçadas então ele enlouqueceu e fez esse painel [foto abaixo, à direita] grande todo de azulejos, tem azulejo do Palmeiras, do São Paulo, florzinha, tem de tudo aí. De perto é muito bonito.”, comenta Mariana, sobre o painel na foto a seguir. 

Painel do artista Invader composto por azulejos variados e
 instalado na parte externa do MASP.
Para Baixo Ribeiro, se trata de um trabalho que estimula o passeio e o andar pela cidade. “Ele procurou lugares bem degradados e fez uma espécie de mapeamento de São Paulo. O interessante dessa intervenção artística é que ao mesmo tempo em que ela é muito singela, muito pequenininha e simples, não são grandes lugares, nem grande painéis, não é nada muito elaborado. É quase como uma brincadeira e depois dessas intervenções ele faz um mapa pras pessoas irem seguindo. De certa forma é um jeito, uma leitura que ele faz da cidade que as pessoas não tão acostumadas a fazer e ele faz de um jeito que estimula até a criançada a ir lá e acompanhar a brincadeira. A arte tem essa capacidade de subverter um pouco a ordem das coisas, de caminhar por uns caminhos que não são os caminhos mais óbvios e esperados e de discutir coisas que não são necessariamente fáceis de discutir assim na conversa, nas palavras. Isso foi a peça que ele fez dentro do MASP [foto à direita]. Tem um detalhe aqui: o MASP é um museu todo envidraçado e todo aberto pra cidade. E quando a gente fez a exposição dentro desse museu a gente fez questão de fazer coisas que pudessem ser vistas do lado de fora do museu. Esse é um caso muito interessante que ele fez a instalação dele, esse desenho com azulejos, de uma forma que só quem tá fora consegue ver o trabalho. Se você tá dentro do museu e vai passar pelo trabalho, você está em um corredor muito estreito, ‘cê acaba não vendo o trabalho.”, conta Baixo Ribeiro.

Vila temporária instalada pela artista Swoon
no vão livre do MASP.
Na sequência, o urbanista mostrou imagens dos trabalhos da artista norte-americana Swoon, que instalou uma vila no vão livre do MASP durante o período da mostra De Dentro e De Fora. “O interesse maior dela tá nas pessoas que moram na rua e na questão da moradia nas várias cidades, nos vários países onde ela já trabalhou. Pra exposição do MASP ela pensou no vão livre, porque é um lugar por onde passa um milhão e duzentas mil pessoas por dia e noite. É um lugar muito visitado, muito frequentado", afirma Baixo Ribeiro. Segundo ele, durante esse trabalho foi observado que além da uma quantidade expressiva de pessoas que moram nas ruas do Centro de SP, há também um contingente de pessoas que tem onde morar, mas residem tão longe do trabalho no Centro que optam por permanecer na cidade durante a semana, dormindo em albergues ou mesmo na rua e retornando para casa somente nos fins de semana. "A gente não conseguiu fazer um levantamento numérico, mas é coisa de três mil pessoas que moram na rua nessa região. Tem alguns albergues, mas tem muita gente que dorme direto na rua mesmo", conta, destacando que o trabalho da Swoon dialoga justamente com esse contexto, ao instalar uma vila temporária durante três meses para ser habitada por moradores de rua. A grande questão dessa instalação  foi configurar um espaço de moradia em pleno espaço público dialogando com órgãos como a prefeitura e a diretoria do museu, além de lidar com a polícia. A concepção da habitação da vila contou com todo um planejamento e uma mobilização prévia. "Essa artista fez um chamado, a gente
Detalhe da horta cultivada na vila temporária.
Swoon (agasalho preto) conversa
 com Baixo Ribeiro (roupa marrom).
entrou em contato com mais de cem organizações grandes e pequenas no eixo de reciclagem, mobilidade, moradia e alimentação urbana, hortas urbanas. E todas essas organizações foram mapeadas e colocadas em relação de possibilidade de trabalho em conjunto umas com as outras."
, explica Baixo Ribeiro e cita como exemplos a parceria entre os catadores de papel e um senhor que tinha uma bicicloteca, acordando que os livros recolhidos pelo pessoal da reciclagem seriam doados para a biblioteca móvel. Outra parceria firmada foi para a alimentação dos catadores de papel, que foi custeada por parte do lucro das empresas de reciclagem instaladas na região. "Resumindo, a gente fez uma cadeia de conexões e possibilidades de trabalho entre as ONG’s. Em contrapartida dessa organização que a gente fez pra eles, dessa tecnologia que a gente transferiu pra essa rede de organizações, eles ficaram de fazer um workshop por dia ou noite dentro desse espaço. Então esse espaço durante três meses teve workshops dia e noite de tudo, de yoga, de pôster, de desenho, discussões, mesas redondas sobre moradia, política e foi um período muito interessante porque além do gigantesco fluxo de pessoas que tem aí dentro, que passam por aí, tinham também as primeiras grandes passeatas que começaram em São Paulo por conta de Belo Monte, por conta da Marcha da Maconha, enfim foram muitos inícios de processo que se concentraram nesse ponto da cidade pra dar o start. Teve também essa repercussão muito interessante de público. O próprio sistema de funcionamento de sustentabilidade dessa pequena vila contava também com uma horta de chás e temperos, contava com a presença de muitas pessoas que iam fazer comida no lugar e distribuíam pras pessoas. As pessoas que moravam na rua acabaram tomando conta do lugar e acabaram participando de todas as atividades. Foram uma infinidade de eventos que foram se agregando ao núcleo inicial e com isso esse projeto se manteve pelo período que ele se propôs.”, relembra Baixo.

Ersilia, obra de Swoon para a exposição
De Dentro e De Fora (MASP, 2011).
Na sequência, Baixo Ribeiro comenta as xilogravuras feitas por Swoon em peças de linóleo, como a da foto à esquerda. "Ela faz como se fosse uma xilogravura, só que ela faz em piso, em pedaços grandes de piso de hospital, aquele piso de borracha que chama linóleo. Esse trabalho teve uma coisa importante, que eu também selecionei entre as milhões de exposições que a gente fez porque não só ele, é um trabalho que depende da cidade, ele é feito pela cidade, é feito para a cidade, ele é feito com aquele pensamento que a gente diz que é da construção humana, da arquitetura das pessoas muito mais que a arquitetura dos prédios e ele tem também um componente que eu acho que é fundamental pra hoje em dia, pra coisa mais contemporânea que eu vejo, a coisa mais atual, mais interessante, a novidade mais interessante que apareceu nos últimos tempos que é a vontade de fazer colaboração, vontade de colaborar, quer dizer, a arte deixou aí, a gente tá em contato com muita gente que participa desse pensamento, ela deixou de ser uma coisa muito vocacionada, voltada pra ela mesma e ela de alguma maneira tá muito mais voltada pra soluções de problemas, pra participar de solução de coisas, pra participar de causas, pra participar de grupos de colaboração mesmo que estejam querendo fazer alguma coisa além da própria linguagem obviamente.", analisa o urbanista.

Para saber mais sobre a exposição e conhecer os artistas que compuseram a mostra De Dentro e De Fora clique aqui.

Outro trabalho selecionado por Baixo Ribeiro para compartilhar com o público do Conecta Música foi a experiência atual da Choque Cultural na revitalização da Barra Funda, em São Paulo. Segundo Mariana Martins, a região passou por um processo de despovoamento após a desativação da linha de trem que a atravessava. Com isso, os armazéns, fábricas e demais estabelecimentos da região foram desativados resultando em um bairro com vários galpões vazios que estimulam a instalação de grandes empreendimentos imobiliários, como condomínios. O que é alvo de críticas por empregar uma solução comercial para ocupar uma região que  já conta com um patrimônio humano interessante que está sendo ignorado pelo poder público. 

Baixo retoma comentando a escolha desse trabalho em especial porque trata de resgatar o conceito de patrimônio imaterial que consiste na olhar voltado para as pessoas e a relação delas com a cidade. "Selecionei esse trabalho exatamente por isso, porque às vezes a gente dá muito mais importância para o patrimônio material do que pro patrimônio imaterial, até porque às vezes é mais fácil de você explicar o que é o patrimônio material do que o imaterial. Então a relação das pessoas, você destruir por exemplo uma comunidade inteira." e lamenta os impactos do desastre em Mariana -MG para o patrimônio humano da região citando como um evento desses desestabiliza por exemplo uma cooperativa de mulheres empreendedoras que produziam e comercializavam geleia de pimenta biquinho. "Vi um vídeo sobre as mulheres de Mariana que se juntaram pra fazer pequenos negócios. Elas estavam com um problema porque não tinham muito como trabalhar, tinham que cuidar dos filhos em casa e também não se conheciam. Elas sentiam falta desse contato entre elas na cidade. E ai começaram a conversar e isso evoluiu, se desenvolveu, foi um negócio que deu certo. Elas começaram a vender realmente a geleia e começaram a produzir mais. Essa produção atraiu mais mulheres e elas criaram uma comunidade incrível muito bem sucedida em função de que além do contato que elas começaram a promover entre elas mesmas, nas conversas, enfim no desenvolvimento da própria comunidade eles tavam ganhando dinheiro com isso, tavam desenvolvendo um trabalho com isso. Então isso se acabou, esse tipo de destruição pra mim era muito mais complicado, muito mais complexo, muito mais difícil de restaurar essas conexões, essas ligações do que casas que você vai lá e reconstrói, constrói de um jeito melhor e você até aproveita algum espaço, enfim a gente tá falando de uma tragédia, mas o que me atenta mesmo é pra questão da relação humana mesmo.”, avalia Baixo Ribeiro.

“A destruição em Bento Rodrigues foi imensa dessa relação humana, porque era uma cidade pequena, todo mundo se conhecia e tinha uma relação próxima uns com os outros e de repente a lama comeu tudo e foi cada um prum lado, um pra casa de um parente ali, outro pra casa de um parente lá, outro voltou pra Belo Horizonte e as pessoas perderam o contato, estão se sentindo completamente perdidas no espaço.”, considera Mariana Martins. 

Bar do Fagundes teve fachada reformada
pelo projeto Ponte Barra Funda
É a mesma preocupação com a rede de contatos e conexões entre as pessoas que motiva a discussão sobre o processo de transformação urbana da Barra Funda, em São Paulo.“Aqui em São Paulo nesse bairro da Barra Funda onde a gente tá fazendo esse projeto, a questão da relação humana também é muito importante porque na verdade o que você tem lá são vários moradores antigos, que moram lá há muito tempo. Você tem alguns artistas, uma comunidade envolvida com cultura que acabou indo pra lá e faz os seus estudos naqueles antigos galpões fabris e você tem uma comunidade relativamente frágil, que não tem muito tempo de união. É uma comunidade que não se desenvolveu entre si, não criou laços muito fortes, então fica muito mais fácil pra você desmontar um bairro inteiro e recriar um bairro inteiro. O fato é que lá vai ser recriado em um modelo que é muito perigoso que é um modelo de condomínio fechado. Então são prédios muito grandes, muito altos, apartamentos muito pequenos, então é um adensamento muito forte, muito grande, mas sempre fechando, sempre cercado por altos muros diminuindo o próprio ambiente do espaço público. O espaço público de uma rua quando ela se transforma numa rua pro carro passar fica um espaço público diminuído. Se você coloca um muro muito grande nessa rua ao lado de uma calçada pequenininha você ainda diminuiu mais o espaço público. É uma maneira de você perder esse espaço público, então a ideia desse trabalho é levar artistas pra esse bairro pra eles fazerem intervenções que discutem essa questão da memória, do lugar, da perda do espaço público, da desvalorização do espaço público e essa relação do antigo espaço público com as novas construções privadas.”, explica o Baixo Ribeiro.

Após a apresentação, Baixo Ribeiro comentou sobre a disponibilidade dele e Mariana Martins em compartilhar o know now da Choque Cultural com os agentes locais para o desenvolvimento do mapeamento cultural do Centro  de São Luís. No dia anterior, o casal ministrou a oficina Mapeamento Cultural Digital na programação do Conecta Música com o objetivo de criar em grupo o levantamento dos pontos e referências culturais do território local, considerando a paisagem cultural local e a memória afetiva ligada ao lugar. “Estamos aqui propondo trabalho, que o que a gente conhece, o amor que a gente tem por esse Centro Histórico e pela história de vida que tá contida aqui nesse lugar é muito bonito. Pode se desenvolver de um jeito legal." afirma Baixo, cuja crença no desenvolvimento de uma comunidade mais educada e atenta ao seu patrimônio  - material e imaterial - é um fator de estímulo para o trabalho que está sendo proposto.
 - Rapaz na plateia pergunta como se deu a formação da Choque Cultural, a articulação dos grupos que trabalharam na exposição da vila temporária e quais os desafios principais dessa união.

BAIXO: “Eu diria que a gente iniciou esse trabalho há mais ou menos uns doze anos, que foi mais ou menos quando a gente iniciou o projeto da Choque. O projeto da Choque, o início já era muito mais do que fazer uma galeria, comprar trabalho e vender. A gente nunca comprou trabalho e vendeu, a gente sempre fez uma negociação com novos negociadores, colecionadores antigos, artistas novos, mas sempre foi juntar artistas, juntar cenas, nos interessa sempre a cena artística”.

MARIANA: “Na verdade assim, tem uma coisa engraçada. Quando eu era criança eu queria ter uma boate. O Baixo quando era criança queria ter uma escola. Quando a gente juntou saiu a Choque Cultural que é meio assim uma escola-boate, entendeu? (risos) No caso dessa profissionalização eu diria de juntar os grupos, a gente aprendeu muito com essa coisa da Swoon, porque a Swoon sempre foi uma artista que nos interessou por ser uma ativista também. Ela ia fazer esse trabalho no fim do ano. Ela veio em junho ou em maio com uma advogada, uma artista plástica advogada que faz um trabalho no Brooklin em Nova York e chama 485 acres, eu nunca lembro quantos acres são, mas ela descobriu uma brecha na lei que se você entra num terreno abandonado e se você planta e colhe alguma coisa, você tem direito a esse terreno, você tem o usucapião a esse terreno. Então ela começou a mapear todos esses terrenos vazios que tinham no Brooklin e avisar as pessoas ‘você pode invadir esse lugar e fazer uma horta e colher que você vai ter direito a usar isso publicamente”, quer dizer, transformar isso num bem público, numa horta, num jardim e assim eles conseguiram fazer diversos jardins. Eles tão brigando até agora porque volta e meia alguém entra com mandado de segurança, quer tirar as pessoas de lá, mas ela tá conseguindo fazer isso e quando elas vieram em junho, já tinham feito pela internet esse mapeamento das ONG’s que interessavam realmente em reciclagem. Elas mostraram pra gente, fizeram uma pré-seleção e ai fizeram as reuniões. Teve uma série de reuniões de onde saíram outras escolhas, quem poderia trabalhar junto e quem não poderia trabalhar junto. Isso foi feito durante uns quinze dias em junho e elas voltaram em outubro, novembro e todo mundo já tinha pensado o que fazer, se organizado e aí foi feita essa construção. Tinha uma dessas construções, que era uma casa que um grupo construiu, eles tem essa técnica que eles constroem super rápido, uma casa pra pessoas sem moradia, são quatro placas de madeira, teto e fecha quase que uma caixa.”

BAIXO: “Eles fazem uma unidade de moradia por 3 mil reais. Esse é o trabalho deles e eles distribuem isso pras pessoas em lugares onde não tem outro meio, outro processo construtivo.”

MARIANA: “É, esse é uma casa, mas ela [Swoon] construiu outras coisas mais estéticas, mas esculturais, nesse meio tempo. Essa construção também demorou uns vinte dias. Nesse meio tempo a gente conheceu as pessoas que moravam ali, tinham uma japonesa que lia cartas, uma cartomante, tinha o camelô que é o cara que sempre aparece toda vez que tem manifestação, ele é o cara que dá mais opiniões sobre a política. Era uma comunidade grande que foi sendo conhecida ao longo do trabalho. O trabalho é feito de tal maneira que é importante você sempre incorporar as pessoas que vem vindo e que chegam.”

BAIXO: “A verdade é assim, que mais ou menos nessa época a gente formalizou o Instituto Choque Cultural e a gente começou a escrever essas tecnologias sociais, a gente começou a fazer conteúdos. São jeitos de fazer, modos de fazer, modos de ouvir pessoas, jeito de transformar, de criar transformações na cidade. Prototipar projetos, fazer projetos numa escala menor e depois fazer numa escala maior. Quer dizer, a gente começou a fazer uma série de metodologias de trabalho, modos de fazer essa coisa dar certo. A gente escreveu um livro chama “A Escola é Cidade – A Cidade é Escola” e tá na internet, a gente colocou o conteúdo todo livre no issuu, não sei se vocês conhecem, é uma plataforma. Quando vocês mandarem seus e-mails pra mim eu retorno com alguns links e é um livro que conta um pouco sobre a tecnologia que a gente usa nos trabalho com estudantes, com as escolas de ensino médio principalmente, que a gente faz uma formação com professores e nessa formação de professores a gente ensina eles basicamente a transformar o próprio espaço da escola junto com os seus estudantes, com os alunos e obviamente dentro desse processo entra uma série de novos instrumentos que ajudam eles. A gente ensina a trabalhar a ideia do fanzine, a ideia do grafite dentro da escola, do stêncil, a ideia da poesia transformada em cartaz, transformada em lambe-lambe, enfim, uma série de novas linguagens que são super do interesse dos estudantes, do interesse das novas gerações e que os professores não tem acesso assim como um instrumento formal de trabalho e a gente transformou isso num instrumento formal e consegue incluir no seu currículo escolar e administrar esses novos instrumentos dentro da escola. A gente tem conseguido resultados incríveis com esses alunos. A tecnologia é um jeito da gente explicar como a cidade é também um espaço de ensino-aprendizagem que às vezes a gente não percebe, mas é principalmente da aprendizagem coletiva em que a gente cria junto entre nós.”

MARIANA: “Inclusive é uma das coisas que falta muito assim, de você saber lidar com o outro, você ter essa civilidade de ter o limite e ter o limite do outro. Você ter a educação de respeitar as outras pessoas quando você anda no espaço público, você tem que respeitar. Quando você tá no teu shopping center tem um segurança que vai bater em alguém que não gosta de você, mas se você tá no espaço público todo mundo tem que se respeitar, tem que respeitar os limites de cada um."

- Senhor na plateia pergunta se o casal visitou alguma periferia de São Luís-MA.

BAIXO: “Ainda não.”

MARIANA: “Não deu tempo.”

O mesmo senhor destaca a importância das atividades culturais acontecerem de forma descentralizada em São Luís-MA.

BAIXO: “Não, não tenha dúvida. A gente sempre considerou a ideia que o centro de uma cidade geralmente é aquele lugar mais próximo de todas as periferias, mas não quer dizer que a gente não deva estar presente nas periferias. É muito importante que a gente faça sempre essa ligação. Tem que aproveitar que a gente sabe lidar com a rede já."

Encerrando, Baixo Ribeiro e Mariana Martins agradeceram a presença e participação de todos e deixaram o convite aos interessados em participar do Grupo de Trabalho que fará o mapeamento cultural do Centro de São Luís a manterem contato através do e-mail baixoribeiro@gmail.com . O GT São Luís, que começou a ser formado após o workshop Mapeamento Cultural Digital realizado pelo casal de urbanistas, tem como objetivo mapear a cultura do território em torno do Centro Histórico de São Luís, através de um grupo multidisciplinar que pesquisa e discute questões culturais locais e troca experiências em rede. 

sábado, 2 de janeiro de 2016

FORMAÇÃO EM FOCO – Sobre as palestras do Conecta Música (Festival BR135) - DIA 2 - Parte 1


CONECTA MÚSICA – Palestras

SEXTA-FEIRA (11.12.2015) – Cine Praia Grande
Palestra “Arte e Ativismo Urbano” com BAIXO RIBEIRO e MARIANA MARTINS, diretores do Instituto Choque Cultural (SP).


Equipe do Instituto Choque Cultural (SP): Baixo Ribeiro (camisa azul), Mariana Martins (blusa preta), Raquel Ribeiro, Marcia Oliani e Susana Jeha

"A gente cria filho para melhorar o mundo", disse o personagem Hugo, vivido pelo ator Orã Figueiredo na novela Totalmente Demais em capítulo exibido no primeiro dia de 2016. Não seria inadequado relacionar tal pensamento ao nascimento da galeria de arte e do Instituto Choque Cultural, há doze anos em São Paulo. Quando o filho pré-adolescente do casal de urbanistas Baixo Ribeiro e Mariana Martins enveredou pelo caminho do desenho, Mariana se preocupou com o mercado de arte que o filho encontraria em São Paulo. E foi com a intenção de intervir nessa realidade, que ela uniu-se ao marido em um projeto que modificou para melhor o cenário da arte e do ativismo urbano na capital paulista.

Filha de um artista plástico crítico do predomínio de elementos europeus como uvas e flores dos alpes na arte produzida no Brasil, Mariana Martins reconheceu no cenário artístico muito da crítica que outrora seu pai fizera à necessidade de estimular a cultura nacional, genuinamente brasileira, feita por pessoas inseridas em um contexto local. "Tem que ter flor de maracujá, tem que ter pitomba, tem que ter banana", defendeu Mariana, que também é artista plástica, sobre a importância de valorizar a identidade nacional.

Como Baixo Ribeiro trabalhava como estilista criando roupas para skatistas, o casal conheceu muitos artistas urbanos, entre grafiteiros e tatuadores e foi a partir do contato com esse universo criativo que Baixo e Mariana desenvolveram o projeto de uma galeria de arte que viabilizasse o sustento dos artistas e promovesse atividades educativas. 

"Como é que eu posso encaminhar um filho que desenha nos anos 90, pra que lado ele pode ir com esse mercado elitista, difícil, tão cabeça, cerebral, tão distante da realidade brasileira? E ao mesmo tempo, a gente conheceu esse pessoal do grafite e eu vi que os amigos dele também estavam interessados nesse universo e que ninguém tava vendo, sabe? O status quo, as pessoas, os jornais, eles não estavam percebendo a geração incrível de grafiteiros, de artistas urbanos em geral que a gente tava tendo", contou Mariana Martins, que ao começar a se tatuar se surpreendeu com o trabalho artístico envolvido. "Fiquei fascinada com a qualidade dos desenhos dos tatuadores" declarou a artista plástica, também formada em Arquitetura e Urbanismo, que não parou de conhecer artistas que lhe chamaram a atenção. "Conheci um monte de músicos de rock que faziam uns cartazes. Esse universo estava sendo muito desprezado. Não tava visível. Então vamo fazer esse universo se tornar visível porque sim, eu quero que meu filho e os amigos dele tenham essa possibilidade de trabalhar, de mostrar e de colecionar arte e de dar um sustento pra esses artistas que tão ai batendo cabeça.", disse Mariana Martins.

O trabalho de Mariana e Baixo começou modesto. O casal fazia pôsteres dos trabalhos dos artistas urbanos que não estavam inseridos no circuito de galerias para torná-los conhecidos do público. "Pensei assim: se a gente pegar o que esses meninos tão fazendo na rua e passar prum papel, prum meio mais normal que a arte considera, uma gravura, assinada, numerada, tal, talvez eles vejam quando andarem na rua 'nossa eu tenho uma gravura dessa pessoa que pintou esse muro' e comece a ver como é bom esse trabalho que tá acontecendo na rua que as pessoas não estão vendo." expôs Mariana. A iniciativa não só vingou como foi tomada no momento certo, observa. "Caiu muito bem, acertamos num tempo muito certo e as pessoas começaram a ver e a querer saber quem eram aqueles artistas, como eles tavam trabalhando na rua.", conta Mariana, recordando que no começo dos anos 2000, os artistas sofriam muito pois não tinham apoio para expor seus trabalhos sendo maltratados e confundidos com criminosos pela polícia. "Eles ainda apanhavam muito da polícia, perdiam seu trabalho, perdiam dinheiro, eram presos. Essas histórias são terríveis. Eles tavam precisando de dinheiro, então a gente começou a vender original e virar uma galeria de verdade assim, galeria tradicional, por causa dos artistas. Os artistas tavam precisando e a gente virou.", revela, ressaltando que ainda assim a ideia nunca foi ser uma galeria de arte pautada na missão de comercializar obras e ganhar dinheiro às custas dos artistas. "Era muito mais vamos fazer as pessoas entenderem, formar um mercado de arte e formar os artistas, as pessoas, esses alunos, esses adolescentes que estão na escola e são massacrados por um ensino que é tecnicista, que não é humanista, um ensino que não valoriza o potencial criativo dessas pessoas. Amassa essas pessoas, massacra. Essas pessoas acabam ficando à margem em vez de serem pessoas que ganham dinheiro, se viram, atingem a sociedade e interferem na vida das outras pessoas de maneira positiva, enfim.", esclarece a urbanista.

"Ao mesmo tempo que a gente mantinha esse trabalho comercial, a gente criava esse ambiente de sustentabilidade pra vários artistas que não teriam possibilidade de ganhar a vida em outro ambiente." explica Baixo Ribeiro que ao lado da esposa deu início a um trabalho oficial como curador de arte, participando de feiras e se inserindo de fato no mercado com discussões a respeito da própria dinâmica mercadológica, que historicamente tende a se fechar para as vanguardas. O interesse do casal nesse meio, contudo, não se limitou ao mercado. "A gente tinha interesse por causa dessa questão de sustentabilidade mesmo, mas o mercado era parte do nosso interesse", pontuou Baixo, que também tem formação em urbanismo, destacando que o interesse maior estava nas questões relacionadas à cidade, como a transformação urbana proposta pelos artistas com quem eles estavam trabalhando. "A gente enxergava o potencial que tem
a arte pra sensibilizar as pessoas, mobilizar o público pra algumas causas, exatamente iluminar pontos cegos na cidade, coisas que a gente não percebe.", e comenta como a cidade é agressiva com o pedestre e quem está no espaço público. "Aqui menos um pouco, mas em São Paulo e nas cidades mais novas do que esse Centro Histórico aqui, o que você tem? Você tem casas com muros muito altos, os shopping centers todos fechados, as grades com lanças, enfim são várias coisas que a gente acaba encontrando  na sinalização da cidade que é agressiva com você, que é agressiva com o pedestre. O grafite exatamente discute isso. Ele vai lá e pinta aquele muro de quatro metros de altura que te oprime. Ele pinta criando uma imagem que te leva além, ele amplia o espaço público. Então é um discussão muito quente pra um urbanista. Exatamente essa da revalorização do espaço público, da retomada, da reocupação do espaço público para as pessoas, pelas pessoas. Quer dizer a gente ampliar o espaço público ao invés de deixar que o espaço privado reprima o espaço público.", afirma o urbanista.

E nesse sentido de ocupação do espaço urbano, Mariana Martins observou a relação entre os skatistas e o grafite na experiência de transformar a cidade. "A gente percebeu que boa parte dos artistas que faziam grafite tinham vindo do skate. Eram skatistas que também exploravam, porque o skate é uma coisa interessante. Ele explora exatamente aquele lugar que não é bem do pedestre, o pedestre tem medo de entrar, mas o carro não pode entrar. E ele tem obstáculos. O skatista sabe usar o obstáculo e aí ele começa. O lugar é muito feio, muito fedido, normalmente tem mendigos, fogueira. Aí ele começa a pintar o lugar e começa a transformar. Tem esse desejo de transformação do lugar que normalmente é um fundo, é um fim, é um baixo atrás assim da cidade, é um lugar que sobrou entre um viaduto, uma passarela subterrânea.", analisa Mariana Martins.

Nesse contexto de descoberta de artistas urbanos e experiências de transformação do espaço público com arte, Baixo Ribeiro e Mariana Martins criaram o Instituto Choque Cultural com o objetivo de criar redes de ativismo em prol de uma redefinição do espaço público. Foram contatados ativistas envolvidos com horta urbana, ciclismo, mobiliário urbano, entre outros. Com a formação do instituto, o trabalho se voltou para novos campos, saindo da esfera da cidade e entrando na escola. "A gente tinha certeza que a educação era a maneira mais útil de a gente pegar todo o know how que a gente tinha desenvolvido de ensino de arte e começar a repensar o próprio ensino de arte dentro da escola. O ensino de arte como parte de uma motivação para que os alunos tenham mais vontade de ficar na escola." relata Baixo, apontando que aos altos índices de evasão escolar estão também ligados à falta de interesse e perspectiva dos alunos na escola.

Na sequência, Baixo Ribeiro exibiu um vídeo apresentando um pouco da atuação do Instituto Choque Cultural em São Paulo. "A gente reuniu grupos de ativistas de várias áreas pra repensar a situação do centro da cidade de São Paulo que é um lugar que tem problema de degradação sério, principalmente no que se refere a noite. Durante o dia ele é habitado, é vivido, tem muita gente trabalhando, mas a noite fica deserto e perigoso.", e conta que a partir daí eles se propuseram a pensar uma solução.




Segundo Mariana Martins, a situação é semelhante à observada no Centro de São Luís, onde a partir de certo horário da noite o movimento diminui porque é uma região comercial de atividade diurna. Foi ao sair de um show e atravessar o Anhangabaú de madrugada que o casal se deu conta de como aquele espaço, limpo, bonito e bem iluminado estava sendo desperdiçado. "Em qualquer lugar do mundo, o Centro é o lugar que tem barzinho, todo mundo tá cantando, ouvindo música, bebendo cerveja, conversando, tem um teatro e aqui não tem nada.", Mariana lembra o que pensou na ocasião, referindo-se ao Anhangabaú em SP, onde a sede do instituto foi instalada.

"É uma coisa que às vezes a gente se confunde mesmo, a gente pensa em patrimônio cultural como uma coisa ligada ao prédio antigo, à manutenção, conservação do prédio antigo, mas o patrimônio cultural é a relação que a gente tem com a cidade. São as pessoas, aquelas que tem a iniciativa de cuidar e de conservar os prédios. Como a gente deixa essa comunidade mais coesa, mais firme e mais consciente de como fazer as coisas, de como conservar, de como manter vivo", Baixo Ribeiro explica exibindo em seguida um vídeo demonstrativo do trabalho de revitalização feito em São Paulo que pode ser aplicado em São Luís. "A gente já levou um pouco desse conceito de trabalho em rede, de trabalho coletivo pra melhoria em vários campos do espaço público e do espaço urbano."

Nesse contexto, Mariana Martins destacou o conceito de arquitetura humana. "Não é mais a arquitetura só do edifício. Até agora os arquitetos, os urbanistas pensaram muito no edifício, na construção, que é aquela coisa boa né, dá dinheiro pra todo mundo e não reclama. Mas o importante hoje em dia é você tratar as pessoas. As pessoas são importantes para o lugar. O Chico Discos não existe sem o Chico. Tem lugares que são específicos com as pessoas, as pessoas tem que estar lá e assim também é a arquitetura. Ela tem que ser pensada pras pessoas, com as pessoas, pelas pessoas.", afirma a urbanista.

Quanto ao emprego dessa corrente de pensamento, Baixo conta que existem exemplos de como lidar com a arte para sensibilizar as pessoas, promovendo o entendimento da forma como a comunidade se relaciona com a cidade e lida com os problemas cotidianos. Mostra que em São Paulo, onde a comunidade de skatistas é muito expressiva, essa relação de pertencimento ao espaço urbano é notável. "O skate é o segundo esporte mais popular depois do futebol. E o skate tem exatamente aquela coisa do enxergar. De enxergar a cidade, enxergar os defeitos da cidade, os buracos, os obstáculos, a confusão do equipamento urbano que geralmente é mal pensado, é mal construído, é mal elaborado. Não como um defeito, mas como um obstáculo a ser explorado. Então o skatista enxerga a cidade como um tabuleiro de jogo onde ele vai encontrando e vai fazendo a sua brincadeira.", e cita o espaço da Praça Roosevelt em São Paulo, cuja reforma converteu-a em uma solução viária, pois foi construída em cima de um estacionamento, o que para Mariana é alvo de crítica. "Ela foi uma praça, agora é uma laje em cima de um monte de avenidas subterrâneas que se encontram e se distraem."


Praça Roosevelt, SP.
Imagem disponível aqui.
Baixo complementa a explicação: "Quando ela foi reformada a última vez, inaugurada em 2012 essa reforma, os arquitetos que foram reformar não pensaram exatamente nos skatistas. Eles pensaram simplesmente em fazer uma praça mais ampla, mais aberta, mais livre, sem árvore, sem equipamento, sem banheiro, sem bebedouro, uma praça com uma infraestrutura muito mal organizada, mas porque ela é tão árida, feita de uma maneira tão simples, num pensamento tão rústico do arquiteto, que combinou tão bem com o tipo de espaço que os skatistas gostam, que é um espaço limpo, livre.", observa, criticando em seguida que existam projetos arquitetônicos encomendados por gestões públicas preocupadas em não fornecer espaço para quem dorme na rua, evitando esse tipo de uso do equipamento. "O fato é que essa praça virou a praça dos skatistas apesar dela não ter sido construída pensada para ser uma praça de skate, uma praça pra prática desse esporte. Logicamente isso causou uma série de problemas porque a população do lugar queria usar a praça de outras maneiras também e aí os skatistas ocuparam. Praticamente só skatista tava usando e aí teve que haver uma série de conversas, o que é bom, entre os vários públicos de uso, que queriam usar aquela praça."

Mariana lembra que a Roosevelt acabou sendo utilizada por vários públicos, pois é uma praça rodeada de teatros. "As pessoas fazem performances às vezes ali em volta e foi usada muito pra reuniões políticas também, porque tem esse espaço amplo, vazio então dá pra juntar muita gente, dá pra fazer show até."  e comenta que apesar disso, alguns moradores não gostam do movimento artístico. "As pessoas que foram morar implicam e chamam a polícia toda vez que alguém toca um saxofone.", conta Mariana Martins.

NOTA: Na segunda parte a ser publicada na próxima postagem, os urbanistas Baixo Ribeiro e Mariana Martins comentam sobre a exposição feita pela Galeria Choque Cultural no MASP, que contou com intervenções urbanas e respondem às perguntas do público.